TURMA DE 72 - O ALBATROZ -2-


O Albatroz -2-

ÓRGÃO DA SOCIEDADE ACADÊMICA DA ESCOLA PREPARATÓRIA DE CADETES DO AR.

REDAÇÃO: Orlanil e Ramalho
Datilógrafos: Tarcísio e Danilo
Desenhos Abreu e Bomonato

Numero 2 - abril/maio 1974

As colaborações recebidas não serão devolvidas.
As opiniões expressas são dos respectivos autores.

" As primeiras notícias em última mão "

Os ventos da Patagônia sopram seu hálito gelado sobre os montes
mineiros...
Barbacena está envolta, mais uma vez, no capuz do inverno.
Soa a corneta, espantando ruidosamente os sonolentos espectros,
erguendo para a vida os que aqui forjam seu futuro...
Ela também nos incita à ação, por isso está em suas mãos este segundo
número do "ALBATROZ".
Ele vem com a mesma ânsia de agradar do primeiro, com a mesma certeza
de que será acolhido com afeto e atenção.
Vamos dar uma olhada geral no que teremos para este número. As colunas
permanecem, agora, sob a orientação de novos elementos. O Massuia induz
à abstração com seu PAREPENSE. As dicas científicas ficam a cargo do
Cabral, enquanto que os piruadores encarregam-se de dar os
"BIZÚLTIMOS".
Cremos que assim agradamos a todos, mas se tal não ocorrer, esperamos
que nos apontem o caminho certo, pois o objetivo do jornal é dar-lhes
um pouco de distração e cultura moderna, de nosso tempo, de nossa
idade.
Bem, chega de conversa vazia. O que está com vocês é o mais novo
pássaro implume do ninho, o mais novo ALBATROZ!

A Redação

OS DEZ MANDAMENTOS DO PIRUADOR

I - O Galeão é o centro de toda a piruação. De lá sai para todo
lugar.

II - Na piruação não se distingue a nacionalidade dos aviões, nem se
são civis ou militares.

III - Na piruação, um é ideal, dois é aceitavel e em três nem ônibus
você pirua!

IV - Esteja pronto para ser expulso do Galeão a qualquer momento. Se o
for, tente arranjar alojamento nos Bombeiros ou na PM.

V - O avião que decola e volta em pane é presa fácil, pois a maioria
dos passageiros piscam e desistem de viajar.

VI - Nunca acorde o comandante quando for procurá-lo no hotel de
trânsito. Arraste os pés, converse alto, faça barulho, que ele acabará
acordando sozinho.

VII - Fale sempre com os pilotos sobre a Escola, a vida do Aluno, etc.
Acabará obrigando-os a derramar lágrimas de saudade. Se forem PQDs,
desista...

VIII- O lema do piruador: "Quem tem boca vai até a Manaus!"

IX - Sempre ande padrão. Mas se estiver de uniforme sujo, dê a desculpa
que você não teve tempo de cuidar dele, devido às dificuldades em
arranjar avião. (Esse golpe só funciona fora de Barbacena.)

X - Quando sair oficial, lembre-se dos seus áureos tempos de piruador
e dê carona a todo aluno que piruar...

BARROSO 72/082

Garden no AP: "Não, porque assim ela não podia ser GENRA dele..."
Arrego! E o "noro", onde fica?

Mestre: - A palavra TELEFONE é composta por dois radicais gregos...
Lauzana (macaco): - Poxa, já tinha telefone naquela época?

Remédio que o dito cujo compra para acabar com a azia: CEPAcol.

Mestre: A palavra vôo tem acento?
Garden: Tem assento ejetável, mestre!

Lauzanaco fazendo confidências ao Bombonato: - Ih, cara, tem dia que
eu cepo tanto, mas tanto, que sinto até azia...

GOTAS

Sabem porque gaúcho não vai ao gabinete odontológico?
- Porque "a cavalo dado não se olham os dentes"!

Bom-dia em OFICIALÊS (lingua dos Oficiais):
- Número?

"O Aluno é uma criança que está sendo alimentada com leite espiritual
necessario à vida"

Prof. Noé

" A Matemática no começo do ano é uma síntese. No final, é uma
SENTA-SE."

Prof. Cunegundes

Carinha convidando para o jantar:
- Venha para o jantar, e traga-o com você!

- Pai, já esvaziei os pneus do carro. Agora sua arma está
descarregada!

- Conseguiu o emprego?
- Não, o jornal dizia: "Precisa-se de pessoas de ambos os sexos", e eu
só tenho um!

Um bêbado para outro:
- Amigo, (hic) quantos quilômetros (hic) você faz por litro?

- Meu bem, vamos fazer um ninho?
- Pra quê? Eu não sei botar ovo!

O Oficial que dá mais problemas no Rancho: Tenente Caldeira.

Spiller: - Eu com razão vou até o túmulo. Mas como não quero morrer
novo, só ando errado!

Existem três tipos de costureiros: O costureiro da classe alta, ou
ALFAiate: da classe média ou BETAiate e o da classe baixa ou GAMAiate.

Mesmo que se fosse um mar de rosas, alguém acabaria se afogando.

Como é que se pode fumar tanto a ponto de encher uma quarta-feira de
cinzas?

O Schilling inventou um helicóptero que voa para baixo: o
TOUPEIRÓPTERO.

Sabe qual o conjunto musical dos pilotos americanos?
- ALICECÓPTEROS!

Esta é para os QIs:
- Qual a diferença entre um ventilador parado e um homem
cansado?
Resp.: Um ventilador Parado NOVENTA e um homem cansado SESSENTA, logo:
NOVENTA - SESSENTA = TRINTA Adiferença é trinta, Lúcia!

A novela Preferida do Spiller (macaco): O SÍMIO-DEUS.

Pseudônimo da ponte Rio-Niterói: Túnel do tempo. (você sai no século
XX e chega no checulo XVIII).

Sabe qual o local mais difícil para dar VI?
- O Muro da Vergonha, em Berlim!

Em plena aula de Matemática, o Carinha, apavorado, depois de
perguntar a vários colegas se estavam entendendo a matéria, interpela o
Albano:
- Estás entendendo, Garibano?
- Sim; Tomé de Sousa não comia pão de trigo!!!

O Oficial que se amarra em livros, Imprensa, Tipografia, etc.:
Tenente PfaltzGRÁFICO.

O VIAJANTE

Ele sabia que estava perto, por isso começou a procurar com mais
atenção. logo após, tendo avistado, dirigiu-se para lá.
O céu ainda deslumbrava seu azul. Os últimos raios de sol iluminavam
os verdes da vegetação, e manchavam o poente e o mar de riscos
alaranjados e vermelhos, formando um contraste de rara beleza com
aquele azul límpido do céu, e o cinza esverdeado e opaco da água,
agora, um pouco escurecida. Mas ele não teve tempo de analisar, sequer
de completar tudo isso, pois seu corpo tremeu ao enxergá-la novamente.
Sim, estava diferente, muito diferente. Oitocentos, mil anos, mais?
Muito tempo passara, muita coisa acontecera em todo aquele tempo.
Além disso, construções novas e estranhas surgiam sobre o que, antes,
era um lugar deserto e poético.
Entretanto, de um lado da ilha, divisavam-se os vultos. Lá estavam
eles. Secos, mudos, enigmáticos, solitários. Olhavam para o horizonte
vazio, como se quisessem dizer ou contar algo a algo ou a alguém
distante. Suas expressões eram indefiníveis: não sorriam, eram
tristes; não combatiam nem aceitavam; observavam, faziam parte.
Pensou naquilo que via à sua frente. Frente? Não, ao redor, ou talvez
dentro. O viajante estava em tudo aquilo. E recordou, e pensou em
outras coisas que ninguém definira, e que os séculos haviam jogado ao
esquecimento.
Mas tinha esperança de que a idade áurea florescesse mais uma vez.
Suspirou. Lembrou da imponência e grandeza da época em que seus avós
haviam vivido. Mas tudo terminara num instante, por uma loucura
momentânea, por um apertar um botão...
Faltava tão pouca coisa para tudo recomeçar. Mas ninguém via que o
início estava na frente de todos. E se não vivessem? Então chorou.
O sol ia aos poucos dormindo, deixando os vultos confundirem com o
breu que os cercava, cobrindo tudo. Ali, nada havia a fazer, como nunca
haveria, a não ser recordar.
Então, o viajante, cansado, reencetou a marcha, afastando-se para
onde não houvesse mais nada a recordar, o que seria difícil, mas não
impossível.

OLIVO 72/053

IMFORMA SOM

SECOS E MOLHADOS - Internacionais

Há pouco tempo atrás, o público brasileiro teve notícia do tremendo
escândalo causado no México, quando da apresentação do "Secos e
Molhados" nquele país. E o que mais surpreendeu foi o fato de o
escândalo ter sido acompanhado de uma vendagem de discos que
ultrapassou a casa das dez mil cópias, além de uma mensagem às pressas
de mais trinta mil discos.
A reação foi mais além. Logo que a imprensa internacional teve
conhecimento do fato, dois representantes da Warner Brothers viajaram
ao México a fim de travarem conhecimento com o conjunto. Em poucos dias
saía nos Estados Unidos um compacto, "Patrão nosso de cada dia", que
familiarizou o nosso grupo com o público norte-americano. Além disso,
todo um esquema de lançamento foi preparado, para em pouco tempo os
"Secos e Molhados" transformarem-se numa atração internacional.
De certa forma, tudo isso era esperado. Quando Ney Matogrosso surgiu
no Maracanãzinho cantando "Sangue Latino", em espanhol, logo se
espalhou a notícia, um tanto decepcionante, que o grupo iria gravar um
LP em língua castelhana, a exemplo de outros artistas brasileiros. O que
felizmente não se comfirmou. O compacto "Sangue Latino" em espanhol foi
distribuído às estações de rádio mexicanas, apenas para fins de
promoção. Segundo Jõao Ricardo, líder do grupo, o mesmo Long Playing
lançado no Brasil será distribuido no exterior, apenas de capa nova,
porém todo cantado em português. É a afirmação de nossa língua no mundo
musical.
O que se pode e deve se esperar de todo esse movimento é, além de uma
abertura de caminhos para outros que surgirem, seja cantor ou conjunto,
um excepcional meio de promoção para a música em português, rompendo
assim definitivamente a barreira da língua quanto à divulgação da nossa
cultura.
Com um especial de televisão, exibido simultaneamente em todo o país,
será lançado o segundo disco dos "Secos e Molhados" , provavelmente em
agosto. A novidade principal do disco é um poema de Fernando Pessoa,
cuidadosamente musicado por João Ricardo. Estaremos aguardando.

SHOW DE ZÉRODRX E A AGÊNCIA DOS MÁGICOS NO TEATRO DA LAGOA. REAÇÃO
FRIA DO PÚBLICO, NÃO TANTO PELA MÚSICA (EXCELENTE) E SIM PELO VISÍVEL
ESTADO DE FADIGA DO CANTOR...

PINTANDO NAS ANTE-PARADAS O LP "APRENDER A NADAR DE JARDS MACALÉ." O
CARIOCA-BAIANO MANDA O RECADO: "SEU NOME É JARDS ANET DA VIDA, OU
MELHOR, DA SILVA, OU PIOR, DA SILVA"...

MILTON NASCIMENTO E SOM IMAGINÁRIO NO JOÃO CAETANO. TÍTULO DO "SHOW":
O MILAGRE DOS PEIXES. ESPETACULAR.

SAIU UM NOVO LP DE ÉLIS REGINA: FESTA DE ANIVERSÁRIO. "ÁGUAS DE
MARÇO" DE TOMJOBIM É A PRIMEIRA FAIXA. TRATA-SE DE UM TRABALHO DE
RETROSPECTIVA, FOCALIZANDO OS ANOS DE CARREIRA DE ÉLIS.

PARA OS SAUDOSISTAS: LP EXPLOSÃO DO FORRO. ARRANJOS MODERNOS DE
VELHAS COMPOSIÇÕES DE LUÍS GONZAGA, CAPIABA, LUÍS BANDEIRA, JOÃO DO
VALE, ALÉM DE ALGUMAS ADAPTAÇÕES DE LUÍS BANDEIRA DE VELHOS REFRÕES
POPULARES...

RAMALHO 72/131

LOVE-ME OR LEAVE-ME ALONE

You hold your arms open wide
You say come and lay by youe side
If this is just another ride, you're
Taking me on
Thon leave-me alone

I'm not your part-time man
Love is more Than now and then
I've anjoyed as much of this
As I can stand.

So love-me or leave-me alone
love-me or leace-me alone
love-me or baby belive-me I'me gone
This time I'me gonna be strog

May be once upon a time
I was young of love and mind
Ah I have finally made up my mind

It's time to love-me or leave-me alone
Love-me or leave-me alone
Love-me oe baby believe-me I'me gone
Love-me or leave-me girl d'ont deceive-me

Love-me or leave-me alone
Love-me or leave-me alone



Você traz seus braços bem abertos
Diz pra ir e deitar-me ao seu lado
Se isto é tudo que você pode fazer
Você está me subestimando
Então deixe sozinho

Eu não sou seu passatempo
Amor é mais que coisa de momento
Eu aproveitei o máximo disso
E posso me levantar

Então ame-me ou deixe-me sozinho
Ame-me ou deixe-me sozinho
Ame-me ou, baby, acredite eu vou embora
Nesse momento eu serei forte

Talvez há algum tempo atrás
Eu era jovem de amor e de mente
Ah, mas finalmente eu amadureci

É tempo de amar-me ou deixar-me sozinho
Ame-me ou deixe-me sozinho
Ame-me ou acredite eu vou embora
Ame-me ou deixe-me, garota, não me iluda

Ame-me ou deixe-me sozinho
Ame-me ou deixe-me sozinho

LITERARTE

Olá, pessoal! Aqui estamos para mais alguns comentários. O primeiro
livro de hoje trata de um assunto vital, e teve imensurável aceitação
nos Estados Unidos. É o famoso "Fadiga: mal do século", de Marquerite
Clark, que fala da fadiga e dos meios para combatê-la; descreve os
problemas específicos, diferentes, de fadiga que há em cada idade.
Segundo ela, a década de 60, com sua ameaça de guerra nuclear, não foi
mais exaustiva que a de um séculoatrás, ou seja, 1860, quando os Estados
Unidos estavam mergulhados na guerra civil. Entretanto, a velocidade, a
intencidade e o temor da guerra nuclear despertaram nos americanos a
percepção da sua fadiga num grau nunca antes atingido. É um livro que
examina os problemas da fadiga e seus efeitos sobre a saúde e a
felicidade das pessoas. Responde a perguntas com: Qual a importância do
problema? Que ocorre realmente no corpo humano quando fica exausto?
Podemos ficar tão cansados que nunca mais seja possível nos recuperarmos
novamente?
Após logo estudos, Marguerite explica um problema crucial do século
XX. Ela descreve os três tipos de fadiga: patológica, um sintoma
precoce de algum mal grave de natureza orgânica, oriunda de reações
químicas do sangue que deixam exaustas as pessoas sadias, e a
psicológica, proveniente de conflitos emocionais, ansiedade e tédio
prolongados. Analisa os problemas da Era Espacial, fadiga na indústria e
nas atividades militares e expõe, o que a ciência está fazendo para
conbatê-la. FADIGA: MAL DO SÉCULO é um estudo convicente, valioso e
fascinante de um problema que interessa a todos.
Outro romance que interessa a todos, pelo seu cunho de preciosidade
histórica é Iracema, de José de Alencar. Iracema é um livro simbólico.
O romance em prosa poética é um poema que cantasse as núpcias da terra
virgem com o colonizador branco, simbolizados na lida Ndia tabajara e
no reinol Martim Soares de Sousa. É uma das obras mais brasileiras da
nossa literatura, consistindo na obra culminante de Alencar. Apesar de
vários personagens valiosos historicamente, a maior soma de interesse
concentra-se, na deliciosa filha de Araquém. Iracema é evidentemente um
poema simbólico, em cujas páginas há um sopro cheiroso emanando da
heroína, enfim, um romance de fértil imaginação e beleza que todos
devem ler.
De Machado de Assis temos muitos romances bons. Dentre eles: Helena,
Contos, O Alienista. José de Alencar, além de Iracema, tem também Cinco
Minutos, A Viuvinha, A Alma de Lázaro. Dentre as novelas, destacamos:
Três Novelas Alemãs, O Traje faz o Homem, e Romeu e Julieta na Aldeia,
de Keller Chamisse.
A literatura macabra está bem representada por "Visitante do Além e
Outras Aparições", da coleção Trevo Negro, publicada pela Bruguera.
Uma coleção de guerra está fazendo grande sucesso: História da Segunda
Guerra Mundial, de Renes, que publicou o volume "Spitfire, Caçador
Implacavel"/ para o pessoal que vibra com aviões.

XAVIER 72/136

O SONHO DE ORNELAS

Uma bela noite, o Ornelas, pai da Infantaria teve um sonho e foi todo
excitado contá-lo à equipe do Albatroz, pedindo porém sigilo absoluto.
Mas a tentação foi demais e como o Alba-74 dedura mesmo, deixamos o
Calisto Ornelas com a palavra:
"- Menino, faça isso não, espia só meu sonho! Acordei às quatro e
meia, hora da alvorada, e fui ao rancho. Não tinha esse negócio de
iogurte e mingauzinho, somente café preto; para exercitar os dentes,
sem intervalo, para não quebrar a concentração mental. O lanche não
existia, para acostumar o estômago aos longos vôos sem alimento.
Terminado o primeiro período, fizemos uma rápida ordem unida de fuzil
(uma hora e meia) para desenvolver as virtudes; depois tivemos cinco
minutos, só para tomar banho, trocar de roupa, fazer a barba, engraxar o
borzeguim, e limpar o cinto, coisas de rotina. Finalmente fomos para a
formatura geral, na qual foram lidas as Ordens de Dia, Boletins e
Escalas de Serviço e hasteadas três bandeiras, uma para cada ano.
O almoço, menino, é que foi uma beleza! As esquadrilhas todas na
frente do Cassino, de repente os Alunos de Dia deram fora de forma,
gerando aquela correria onde o Ornelas aqui se destacou, chegando em
primeiro lugar e ganhando um bife de japona a mais.
Vinte minutos depois de um almoço espartano de batata, caldo de
batata e suco de batata ( o feijão havia faltado) e, para os felizes
aniversariantes, leite geladinho, deslocamo-nos em torno da Escola, num
"cross organizado", para auxiliar a digestão.
Depois do "cross", quatro aulas seguidas, para cumprir o lema "Mens
sana in corpore sano". Após as aulas, tivemos uma corrida até os Aps.,
na qual os últimos, desleixados e sem espírito militar, ficaram presos
para aprenderem a cumprir ordens. Fizemos apenas uma suga por haverem
faltado alguns sargentos, e jogamos futebol americano, valendo tudo,
para desenvolver o espírito militar e a garra.
Quando terminou o futebol, tomamos um banho frio maravilhoso, para
massagear os músculos, e dois minutos depois tocava a corneta chamando
para o jantar. Após a retirada de faltas, descemos para o rancho, onde
a Equipe de Serviço já fiscalizava as massas. Dez minutos para o jantar
e para descansar, pois afinal de contas ninguém é de ferro. Quando
terminou de "cocebar", tocou para a formatura de pernoite, após o que
distribuimo-nos nos diversos Clubes: de Inglês, Francês, Árabe, Grego,
Sânscrito, etc., pois cultura nunca é demais.
Dez horas tocou a revista de recolher, após o que divertimo-nos
durante trinta gostosos minutos no Cassino, jogando xadrez e damas,
pois são jogos salutares e desenvolve, a mente. Não pude desfrutar dos
jogos pois tive que cortar o cabelo (diariamente, estava escrito na
porta da barbearia) no padrão, isto é, quatro dedos acima da orelha.
Tive a infelicidade de esquecer de tirar o bibico ao entrar no Cassino,
e como punição fui obrigado a doá-lo a uma instituição de caridade.
A semana passou depressa, e sexta-feira tivemos a tradicional aula
sobre "Guerra Revolucionária", com o Tenente Sérgio. O licenciamento na
sexta e sábadoera de 5o A, e aos domingos tivemos o privilégio de
sairmos a paisana, desde que usando a camiseta com o escudo da Escola,
e voltando às oito e meia. Quando eu estava no melhor, tomando um suco
de mangaba no Gino's acordei. Vou te contar, tive vontade de pedir
deslog, não sei porque não mudam a rotina da Escola. Garoto você me dá
licença, vou conversar com o Coronel sobre o meu sonho, Talvez ele até
aproveite alguma coisa...

CAMERA E TELA

Após a exibição de Matadouro 5, tivemos um ms algo fraco em matéria de
cinema.
Salva-se "ZEPPELLIN", com Michael Yorck, a estória de dirigível
concebido para um audacioso ataque aos arquivos históricos ingleses,
guardados num castelo escocês.
O plano fracassa, mas os heróis salvam-se. York mantém sua classe de
bom ator, secundado por Elke Sommer, construtor de balões. A atuação de
Elke é obscurecida pela de Michael York, dando um bom papel destinado a
ele moldou-se perfeitamente ao seu estilo de interpretação.
As cenas de Zeppellin, na maioria das vezes, são boas. O começo
proporciona ao espectador a figuração sinistra da guerra: um céu claro e
lindo, que vaiescurecendo aos poucos até tronar-se sombrio e opressivo,
significando a vinda do conflito.
A música motiva bem, com marchas militares nos momentos de alta
tensão. Um bom filme, que agrada aos fãs da aviação.
Bom lançamento também foi "ESSES HOMENS MARAVILHOSOS E SUAS MÁQUINAS
VOADORAS", que de tedios só tem o título. Uma paródia bem feita da
história da Aviação, focalizando episódios engraçados e bem dosados.
Temos certeza de que agradou a todos, pela sua irreverência e
qualidade.
Dentre os filmes que vão ser exibidos na Escola, a grande maioria
satisfaz plenamente aos apreciadores do gênero.
Destacamoc "O SATÂNICO DR. NO", com o clássico Sean Connery, e suas
aventuras mirabolantes e atraentes. Um bom programa para quem se amarra
em espionagem.
A MULHER DO PADRE, com Sofia Loren e Marcelo Mastroianni, uma das
boas produções do cinema novo italiano.
Como falamos anteriormente, vêm aí muitos filmes bons, entre eles "O
CASO MATTEI, O PRESIDENTE eo FAROL DO FIM DO MUNDO". Falaremos deles no
próximo número.
Até lá

ORLANIL 72/035

ONTEM...

Ontem você chorou
Mas não se lembrou de mim...
Você chorou suas tristezas, suas mágoas, suas dores, suas vontades
Mas não se lembrou que me doíam as suas tristezas
Você só se lenbrou de chorar
Mas não por mim...
Você maldisse o mundo e tudo o que lhe foi possível
E...você chorou...
Mas não se lembrou de mim...
Hoje eu choro
Choro por você
Choro ao lembrar-me de que
Ontem, você chorou,
Mas se esqueceu de mim...

BRITES 72/323

O LIMITE

Quando o limite da distância que nos separa tende para o infinito, eu
mais a amo e mais meu peito pulsa de saudade. E se o limite tende para
zero, sinto-me inerte, sem ação do juízo.
Não há entre nós discórdia, pois somos um mesmo ponto de acumulação.
A vizinhança da esquerda e de direita não ousa interronper nosso
expoente de felicidade, que é natural.
Você é o numerador, eu sou o denominador de uma mesma fração da vida.
Nosso quociente é um só, um pensamento de liberdade elevado à enésima
potência.
A interseção entre meu ser e o amor que a envolve é também do mesmo
valor, e tão profundo quanto o meu.
Nós dois somos um conjunto de almas pertencentes a um mesmo número
real da felicidade.

VALDEMIR 72/207

CARTA A UM EX-COMANDANTE

Prezado Ex-Comandante

Ontem, ao final de mais um dia de jornada, recebi vossa carta e
imediatamente despertou em todo o meu ser uma violenta saudade da minha
inesquecível EPCAR. O tempo passa e a saudade aumenta; Barbacena ficou
gravada em meu ser para a eternidade e sei que jamais em minha vida
terei recordação tão bela de minha juventude, como esta, na qual caminhamos
juntos, vós orientando e eu sendo orientado.
Nesta época nem tudo o que me era transmitido era aceito, mas hoje,
livre dos impulsos impensados, posso avaliar a importância do que me
foi ensinado. Com a vossa orientação tornei-me gente, capaz de pensar e
de lutar pelo que quero e se sou assim, devo-o, e não nego, à
orientação que me foi dispensada pelos prezados educadores.
Aproveito, pois, a oportunidade para levar-vos meu agradecimentos bem
como a todos os companheiros que vos ajudaram em tão espinhosa tarefa.
Para avaliar o trabalho desenvolvido por vós em minha pessoa, digo que
estou matriculado no primeiro ano de Engenharia Civil e estou chefiando
o escritório de Indústria Térmica Brasileira S.A., no Rio de Janeiro.
Eu vos sou grato por isso. Sabei que considero vossas essas vitórias
que alcancei e além destas muitas outras que conseguirei, terão
indiretamente a vossa participação.
Em vista do que já alcancei, deixo em vossas Mãos meu voto de
Confiança, pelas quais certamente passarão centenas de jovens para
serem moldados da mesma forma que o fui.
Sem outro particular, subscrevo-me frizando que enquanto eu existir
haverá alguém, neste Brasil, que sabe de sua importância paraele.

Luciano J. NOVAES Gonçalves 70/327

BIZÚLTIMOS

* Na aula de Aerotécnica, o mestre falou do ORNITÓPTERO, avião antigo
que imitava o vôo dos pássaros. Quando o Siqueirinha acordou, pediu:
- Mestre, please, explique de novo o que é esse tal de AVIÃOSSARINHO?

* Simões na aula de Inglês:
Black is beautiful!
Vendo que todo mundo estava estranhando, tentou consertar o furo:
The black cat is beautiful!
O Elson, mesmo assim, franziu a testa...

* Uma senhora despencou de um edifício de trinta andares. No meio da
queda, ela rogou a S. Francisco que a cuidasse. Este apareceu,
perguntando se era o São Francisco DE PAULA ou São Francisco de ASSIS.
a infeliz murmurou que era o DE PAULA, e ele respondeu que era o de
ASSIS...

* No Rancho, o Alencar falava da sensacional garota que tinha piruado
na maior careta. Como alguns duvidaram, o Alencascata perguntou:
- É mentira, Minelli?
- É não, Alencar, o Douglas também viu!

* O Negrão (72/213) descobriu que seus ancestrais foram os inventores
de um aparelho usado em Astronomia, o ASTROLÁBIO.

* O leal descobriu que existe um professor do terceiro ano que escreve
tão rápido, mas tão rápido, que quando termina de escrever a palavra é
que esta começa a tomar forma. Bip Bip pro bizu, Leal!

* " O Benvegnu esqueceu a mamadeira em casa e eu estou preocupada!"
- Palavras da sua própria mãe do nosso colega ao Abreu.

* Na aula do Bip Bip, começa a sair fumaça da cesta de lixo.
O mestre pergunta:
- Pegou fogo em alguma coisa?
E o rocha responde:
- É o calor da aula, mestre!

* Um grupo de jovens protestantes perguntaram a um Aluno se este não
queria ser "Testemunha de Jeová". O cara, espantado, respondeu:
- Mas eu nem vi a briga, ora...

* Cozzolino no Clube de Inglês:
- Essa mestra americana fala inglês?

* Professor de Matemática: - O Log de x é...
Coutinho: - Mas mestre, LOG isto que eu detesto!

* O cientista Rangel legou-nos mais um grande invento: um aparelho
pelo qual se pode ver através da parede. Patenteou-o com o nome de
Janela.

* Cambahuva, numa aula de Psicologia:
- Mestra, afinal para que serve esta matéria?
Diógenes (Camelo): - Para aperfeiçoarmos o trote!

* Martins e suas declarações:
- Para quem não sabe, fui eleito o bebê mais bonito de 1954!

* Júlio, ao quebrar o braço pela sétima vez:
- Foi uma pancada tão forte que inchou até o osso!

* Um gaiato chega na sala de aula e pergunta:
- Vocês sabem de que é que o faquir mais gosta?
Vidual: - De pratos picantes!!!

* Na aula de História, o mestre pergunta:
- Que grande ilha, Duarte poderia ter descoberto no suposto
descobrimento da América?
Rangel: - Poderia ser o Japão, né?

* O praciano chegou da emfermaria dizendo que havia operado
amigdalite, quando Rangel duvidou:
- Como é que estás usando borzeguim?

* O Nóbrega estava no Aeroporto de Manaus piruando, quando decolou um
avião. Ele começou a gritar "Araújo, Araújo!" Ai chegou um tenente e
perguntou porque ele estava gritando tanto. O Nóbrega respondeu: - Ora,
no mar é marujo, então no ar é araújo!

* Ornelas: - Ih, meu relógio caiu e parou!
Delso: - E o que você queria? Que ele saísse andando?

* Carinha e Mallmann (Pombão):
- Pombo, vou te contar, vida aqui está insuportável! Essas formaturas,
punições...
- É mesmo! Tá boçal! Por que tu não pedes deslog?
- Ah, é? E os quinze contos do Curso de Admissão, quem vai me devolver?

* No Pavitec, o Sargento Rafael contava suas aventuras:
- Fui obrigado a fazer um pouso forçado, e resolvi aterrisar numa
estrada. Pousei bem, mas comecei a estranhar, pois o avião não queria
parar. Quando olhei para baixo, vi que tinha pousado em cima de um
caminhão!

* O Barroso não se contentou de levar para a sala de aula uma flanela e
a graxa: levou também a escova de dentes e a toalha.

* Numa linda tarde, na Praia do Futuro, em Fortaleza foi encontrado um
terceirista de quinto A, tomando chope. Aparece, Vítor

* Mais uma do Aratacal: o Medeiros popular Pulgão, foi assistir
futebol de quinto A, para pagar meia entrada...

* Aí o Castro Neves olhou pela janela do carro e viu um cartaz a beira
da estrada no qual se lia: Água potável a 500m. Curioso virou-se para o
Lavogade e perguntou:
- Que cidade é essa?!!

* Numa aula de Química Orgânica, o mestre pergunta:
- Alguém aí sabe um exemplo de função ÁLCOOL-ÁCIDO?
O Braga respondeu:
- Cachaça com limão!!!!

* Mestre de Física:
- Senhores, nesta experiência o gás dilata...
Mallmann: - Que gás é esse? Eu só conheço gás de bujão e de rua,
mestre!

MANCHE

A VASP recebeu o décimo Boing 737-200 Advanced, que aterrissou em
São Paulo pilotado pelo Comandante Fragoso.
Em acidente ocorrido no Aeroporto de Congonhas, a Transbrasil
sofreu a perda, não se sabe ainda se definitiva ou temporária, de um
aparelho One Eleven 500. Para substituí-lo, a empresa já arrendou de
uma companhia inglesa uma aeronave do mesmo tipo e características dos
BAC One Eleven que emprega.
A EMBRAER produziu e comercializou, em 1973, 73 aeronaves, todas
colocadas no mercado interno. Esse total compôs-se de 15 EMB-110
Bandeirante, 34 aviões agrícolas EMB-200 Ipanema e 24 jatos de
treinamento e ataque ao solo EMB-326 GB Xavante. Para 1974 está
previstaa construção de 136 aeronaves (39 Bandeirantes, 73 Ipanemas e
24 Xavantes), ou seja, o dobro de unidades produzidas em 1973.
Com o objetivo de atender a demanda do aumento de frequência tanto
nas linhas domésticas como nas internacionais, a VARIG está comprando
mais aviões, a saber: um quarto Douglas DC-10-30, dois Boing 727 e dez
Boeing 737. Esses últimos serão entregues à razão de um por mês, a
partir de outubro próximo.
Está andando normalmente o programa de desenvolvimento do EMB-120,
o Bandeirante pressurizado. O protótipo deverá estar voando na primeira
metade de 1975 e será um dos aparelhos mais avançados do mundo dentro
de sua classe. Como característica interna, será diferente dos atuais
Bandeirantes, por causa do pára-brisa de acrílico em dois painéis, que
dão mais segurança à pressurização, são mais resistentes a impactos e
possuem equipamento para degelo.
Pouco depois de receber autorização para a compra de mais um Boeing
727 para a sua frota, a Cruzeiro do Sul solicitou permição para
adiquirir mais um Boeing 727 e seis Boeing 737-200. Esta expansão da
companhia deve-se ao crescimento marcante por que passa o transporte
aéreo brasileiro. Uma das vantagens do modelo 737 é a caracteristica
moderníssima, que assegura à aeronave operação sem restrição nos
aeroportos principais. O 737 da Cruzeiro levará 110 passageiros e será
utilizado nas linhas domésticas. A Boeing irá ceder a Cruzeiro desde já
quatro Boeing 727, enquanto não forem entregues.
Os catorze Bandeirantes que a EMBRAER havia entregue a diversos
operadores (cinco à FAB, quatro à Transbrasil, quatro à VASP e um às
Centrais Elétricas de Furnas) até o fim do ano passado haviam
realizado 8.827 pousos e com pletando 6.483 horas de vôo. Todos os
operadores estão satisfeiticíssimos com o avião. A partir deste mês, a
EMBRAER passará a fabricá-los em número de quatro por mês.
Está previsto que, antes de ser inaugurado, o Aeroporto
Internacional do Galeão já apresentará deficiência de atendimento e
operações, devido ao crescimento constante da aviação brasileira e ao
interesse das companhias estrangeiras em operar no Brasil. Por outro
lado corre o boato em nossos meios aeronáuticos de que o Aeroporto
Internacional de São Paulo passará de Viracopos para Cumbica e a base
aérea, neste situada, será removida para o Viracopos. Tal fato, se
ocorrer, será daqui a bastante tempo.
Foi anunciado em Paris que a Transbrasil encomendou dois
birreatores AIRBUS A300-B e assinou opção para a compra de mais dois. O
Airbus A300-B foi uma das sensações da exposição aeroespacial realizada
em São Paulo, em setembro do ano passado. Como principais
características o Airbus tem: velocidade maxima de cruzeiro a
7.600m-937km/h; altidude maxima de operação: 10.700m e alcance de
operação com combustivel máximo: 3.710 km, sendo assim um dos melhores
de sua estirpe.

PADILHA 72/065

ORAÇÃO NUM MOMENTO DE CONFUSÃO INTERIOR

Pe. Zézinho

Cristo,
Eu tenho hoje, uma pergunta que esta me incomodando:
O que é que esta gente pretende dizer,
Quando diz que eu sou a esperança do mundo
E joga sobre mim a responsabilidade de fazê-lo melhor?
O que é que esta gente pretende fazer, quando faz da esperança um amor
que não chega a ser amor?
O que pretendem dizer, quando insinuam que não sei o que quero
E insistem que deve saber o que não devo querer?
Por que me confundem tanto com seus conselhos,
Quando não querem que eu faça algo que me prejudica?
Por que não abrem a jogada e por que ficam cheios de mistérios?
Será que eles tem medo de me machucar?
O que é que eles estão querendo fazer de mim em teu nome?
Estou fervendo de raiva, Cristo.
Por que preciso ser conduzido com tantas reticências para um lugar
que eu não sei se será bom para mim?
Por que tantos nãos, Cristo?
Porque tantos nãos?
Por que?

MARASCHIN 72/223

SOLO

Olho para baixo.
Estou só e o céu é o limite
Enxergo o azul e
Lá embaixo os campos de nuvens.
Um giro e o mundo se inverte
Estou livre, sou um anjo
A voar rápido nas estradas do infinito.
O sol tinge as nuvens de vermelho.
Estou só e o mundo também.
O prateado corisca nas asas
Lá embaixo, a realidade.
Não quero voltar
Quero viver para sempre nos sonhos
E encontrar-me com Deus no silêncio das constelações...

MÁRIO 74/322

* Um sujeito sem braços pode abraçar a carreira da aviação?

* Quando você pede uma imformação na rua e lhe mandam seguir direito,
você entra para a Faculdade?

* Quando um técnico de som ganha na Loteria Esportiva faz muito
barulho?

* Se os gregos não tinham vitrola, como é que faziam estátuas lançando
discos?

MICROSCÓPIO

Há milhares de anos, o homem toma a maioria dos remedios de modo pouco
eficiente. Ao ser ingerido, um comprimido dissolve-se no estômago, é
filtrado no fígado e espalha-se pelo corpo inteiro atráves da corrente
sanguínia.
Apenas uma quantidade mínima do medicamento nele contido consegue
chegar ao alvo, geralmente um tecido doente. A porção desperdiçada,
quase todo o comprimido, atinge as partes sadias do corpo e
frequentemente causa pertubações tão graves quanto a doença que se
deseja eliminar.
Uma nova maneira de curar, no entanto, está começando a surgir: sem
comprimidos, sem xaropes, e sem injeções. O princípio: levar apenas a
quantidade necessária do remédio-1:10.000 a 1:100.000 das doses orais
ou injetaveis empregadas normalmente diretamente ao local afetado. Há
cinco anos, as pesquisas nesse sentido vêm tendo na Califórnia uma
grande intensidade e quinze países estão testando o sistema, que foi
aplicado inclusive no Brasil.
O produto escolhido para iniciar a revolução foi OCUSERT, sistema de
tratamento dos olhos. É uma pequena membrana plástica de forma
elíptica, do tamanho de uma lágrima, colocada entre o olho e a pálpebra
inferior. Como se fosse uma lente de contato, ela libera o medicamento
gradatidamente, com absoluto controle de quantidade e tempo, durante
uma semana. O primeiro OCUSERT contém Pilocarpina, substância usada no
tratamento da Glaucoma, doença que faz aumentar a preção interna do
globo ocular, provocando dor insuportavel, o paciente precisa pingar o
remédio no olho de quatro em quatro horas, mesmo noite a dentro. Com o
Ocusert, ele passa sete dias despreocupado. No fim da semana, tira a
membrana e coloca outra.

CABRAL 72/219

PADRÃO

O esforço é grande e o Aluno é pequeno
Eu, Aluno, Futuro aviador, deixarei
Este padrão na nuvem mais longínqua e, sereno
Para diante voarei, em frente seguirei.
"A alma é divina e a obra imperfeita".
Este padrão, só pelo vento, subirá aos céus.
Da obra ousada, é do Aluno a parte feita:
O por-fazer é com o comandante, quase um deus.
E sobre o imenso espaço sideral
Me ensinam estes Oficiais, num esforço sem igual.
Que será grego ou romano o éter com final:
E brasileiro, o infinito azul celestial.
E o avião lá no alto diz que o que me há na alma
E faz em mim a febre de voar
Só encontrei no Comandante, na sua eterna calma,
O padrão exigido, sempre por achar.

EVODIO 73/232

* PROFESSOR: - O ponto X tem um limite que...
Albano: - Mestre, a minha paciência também tem limite !!!
Professor: - Mas, meu filho, a Matemática está no sangue...
Laércio: - Então está todo mundo anêmico !!!

QUANDO O VENTO SOPRA A FAVOR...

O dia havia amanhecido, como sempre, aliás sombrio. A alvorada me
levantou, me acordou na cama, na famosa hora de sempre. Eu havia
dormido após muitos minutos de terrivel insônia. O "my love" não saía da
cabeça. Pois bem, até, nada de mais. Mas deixem-me contar o que
aconteceu depois...
Após alguns instantes de enorme luta contra o peso dos olhos, um
argumento me faz levantar rapidamente: o Oficial de Permanência era o
Cabeção! Corre! Se Veste! Quebra a escova de dentes! Rouba o sabonete do
próximo! E saí para o rancho. Até que enfim! Quando já ia passando,
naturalmente, o Beato estava voltando, não era fú. Preso no outro fim de
semana. Melhor assim, não gasto meu dinheiro com futilidades. Fico com
meus cobres no bolso.
Ficar preso tem suas desvantagens: não se pode jogar bola, não se
estuda, deve-se estar de hora em hora na frente da sala do GCA, não se
vai ao baile... Mais afinal ir ao baile pra que parceiro? Gastar
dinheiro com mulher? Mulher só dá complicação! A comida não é tão ruim
assim. A vida de preso até que é muito boa, destes pontos de vista...
(Arrego pro otimismo). E não paro ai. Quebrei o dente comendo pão, minha
caneca estava furada, minha cadeira tem pés escamoteáveis, o café estava
quente prá danar, tropecei na escada, minha japona rasgou. Tentei dar o
golpe dos dispensados na enfermaria. O Doutor deu-me uma receita que eu
deveria mostrar-lhe após. O remédio era caro pra chuchu...
Na tarde do mesmo dia, uma sexta-feira (felizmente não houve
conferência nem instrução militar) me "afanaram" cinquenta cruzeiros...
O cara até que foi higiênico, pensou que era papel sujo e "limpou" o meu
armário. Nestas alturas só me faltava cair um meteorito na cabeça. E
caiu! Não um meteorito, mas uma tremenda bomba d'água.
"Nada mais me acontecerá", pensei. Aí coloquei meu civil e me mandei.
Primeiro olha e vê se a barra está limpa. Está? melhor. Uma corrida
rápida, um salto ágil e pronto! Lá estamos! Foge do cachorro filha da
mãe que não pára nunca de latir, diz o que o pai do moleque que atirou
barro é, se esconde naquela porta porque pensa ter visto o carro do
Baratão por aí, um crioulo fala uma gracinha, não dá para acertar contas
porque além de ser crioulo, era um enorme crioulo...
Por fim cheguei a casa da "girl". Um beijinho, uma carícia, um relato,
uma discussãozinha, um atrito, um tapa, um palavrão, um outro tapa.
Estava tudo acabado. -"Tem nada não. Nunca fui de viver amarradão em
rabo de saia." Saí por aí curtindo a alegria da liberdade. Tomei umas e
outras num barzinho...(ele também me tomou uns quinze
cruzeiros)...Azeite!
Vou voltando meio cambaleante, com o capuz levantado. Não estou aí
para ser pego de bobeira na rua pelo implacavel "Coronel Amarelo". Fiz
uma tremenda volta, evitei todas as lâmpadas acesas. Uma kombi azul
escura apareceu e eu me atirei sobre um muro. Quando caí do outro lado,
senti um mal-estar: havia caido na lama. Levantei-me e dei de cara com
um varal de roupa. A briga foi dura, mas eu ganhei. Chutei um maldito
cachorro que me arrancou um pedaço da canela, mas não fui pego! Ao menos
desta vez tive sorte.
Todo o final de semana foi maravilhoso, e eu pensei que o azar tinha
sido substituído pela sorte. Mas segunda-feira de manhã ouvi aterrado:
- "Não é que o Galvão seja meu aluno, mas deu azar. Eu por ACASO vi
de BINÓCULO a hora em que ele pulou o muro e então agora..."

GALVÃO 71/036

Mestre de Física: - As pessoas nervosas podem morrer até mesmo com
uma pequena descarga elétrica.
Marinony (Tartufo): - O Júlio morre até com um choque de pilha !!!

PARE PENSE

Já lá se vão muitos séculos...
Haviam na Judéia um rabino chamado Hillel.
Era um homem de caráter reto, chefe de família exemplar, dotado de
extraordinário e incalculável saber.
Em conferências, na sinagoga, esclarecia as passagens mais difícieis
e obscuras dos Livros Santos.
Reconheciam todos que o Rabi Hillel dispensava a maior respeito e
amizade. Tratava-os com extrema cordialidade e dedicação.
Procurava auxiliar e motivar os mais fracos e animar e amparar os
mais tímidos. Jamais dirigia a um de seus educados uma palavra
descaridosa ou áspera. Era, para com todos, simples, justo e acolhedor.
Quando chegava diante da classe, antes de iniciar a lição, o
sobreexcelente Hillil cumprimentava os alunos inclinando-se três vezes.
Certa vez, o estímulo é o teu proceder. És o homem mais sábio de
Israel. As tuas eloquentes lições, no templo, são ouvidas com o maior
acatamento até pelos anciãos mais doutos e veneráveis. E, no entanto,
tratas os teus jovens e inscientes alunos sem o mais leve traço de
superioridade, com extrema brandura. E tu estás, ó Rabi, muito alto!
Como poderias justificar essa tua maneira de acolher os educandos?
Respondeu Hillel com serenidade: - Meu filho, trato os meus alunos
com o maior respeito, procuro cativá-los e orientá-los pelo bom
caminho, por um motivo muito simples: Eu sei, com segurança, o que sou;
sei também, o que posso valer, eu não sei, nem poderei saber!
E inclinando-se, novamente, três vezes, diante de seus alunos.
Como é singular o destino! Não há palavras perdidas pelos caminhos da
vida. Entre os alunos de Hillel achava-se, naquela ocasião, um
adolescente chamado Jesus, filho do nazareno José, o carpinteiro.

MALBA TAHAN

* O homem, para ser virtuoso, bom e feliz precisa antes de tudo ser um
gigante na humildade, na auto-disciplina e na caridade.

* Não se é homem enquanto não se encontra alguma coisa pela qual se
está disposto a morrer.

* Não são as guerras, as invenções, as vitórias, as derrotas, os
tratados que modificam a fase de Terra, e sim a idéia. A idéia
transforma tudo, ao pôr-se em movimento.

* A vida não é um canto melancólico à beira do fogo, mas um hino
heróico ao sol.

* É difícil definir o amor. O que dele se pode dizer é que, na alma é
paixão de reinar; nos espíritos, simpatia, e no corpo, apenas o desejo
oculto e delicado de possuir o que se ama depois de muitos mistérios.

* Da primeira vez que me enganas, a culpa é tua; da segunda vez, a
culpa é minha.

* Caíste? Levanta-te, só os tolos rirão.

* Se as rugas estão escritas na tua testa, não deixes que elas se
gravem também no teu coração.


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